Resgatando a competência dos pais

Quando falamos em ensinar os nossos filhos temos que ter em mente que é um processo que vai desde o nascimento da criança até a fase adulta. Na Bíblia diz “ensina a criança”, no original a palavra não é criança recém-nascida. A criança recém-nascida precisa ser ensinada sim, mas com a sua atitude. Ela vai aprender uma questão de horários que o pai e a mãe vão dando. Hoje, inclusive, os especialistas afirmam que você não pode ser muito rígido na questão de horários e coisas do tipo, porque a criança ainda não se sente um ser separado da mãe.

Os pais precisam entender que educar uma criança é ensinar, e ensinar é treinar. Podemos ver que o significado da palavra ensinar é dedicar. E hoje muito da incompetência dos pais é por causa disso, porque nós não temos tempo para treinar e e nem tempo para dedicar aos nossos filhos. E quando vamos treiná-los,  nós queremos treiná-los no nosso caminho. Pare e pense: Você está treinando seu filho para fazer as suas escolhas ou as escolhas dele?

Você precisa ensinar o seu filho como ele deve agir, porque a boca fala do que? Daquilo de que o coração está cheio. Então, a nossa missão como pais, é formar nossos filhos pra que eles façam escolhas certas. Escolhas que vão contribuir para o seu crescimento como pessoa, que vão fazer com que ele seja um cidadão, que ele seja um marido, que ele seja um crente fiel. E que ele saiba fazer as escolhas certas.

Será que os relacionamentos estão sendo terceirizados?

Em tempos de globalização, será que estamos, também, terceirizando as relações familiares? O ato de terceirizar está definido como o de atribuir, transferir a terceiros as funções das quais não damos conta, por diversos motivos. Com base nessa definição, cabe a pergunta: será que é possível terceirizar a função de pais? É possível terceirizar afeto? É possível terceirizar amor?

Como terceirizar aquele contato caloroso que a história contada aos pés da cama proporciona a pais e filhos antes do sono? Um contato que une, olho no olho, revela verdades, desvenda os mundos de cada um. Uma presença necessária da comunicação, considerada por vários autores como facilitadora da saúde emocional dos membros da família. Podem ser terceirizados os jogos e as brincadeiras, tão importantes e pouco existentes nas famílias atuais? É possível terceirizar o ato de ler e escrever? Referimo-nos aqui ao ato de ler mundo, de aprender valores morais e éticos, além do ato de escrever a própria história à mão, compartilhada com aqueles com os quais aprendemos a confiar na primeira célula da sociedade, a família. Como terceirizar as primeiras aprendizagens?

Como terceirizar o colo de pai e mãe? Colo? Aquele carinho tão necessário para derrubar a insegurança e a angústia do crescimento, que enxuga as lágrimas da perda, que equivale a dizer “estou a seu lado”. É possível terceirizar o afago, a afeição física, considerada fundamental para o crescimento emocional saudável? E a massagem terapêutica, o toque curativo, o beijo no “dodói”? Soluções? Não as temos.

Sugestões? Nenhuma. Cada ser humano, ao dar a origem a outro ser humano, traz consigo o milagre da vida: as receitas estão na soma da intuição, da observação e reparação, além da aprendizagem instantânea, que são proporcionadas pela experiência. De que formas os pais da realidade pós-moderna podem fazer a diferença na vida dos rebentos? Não perdendo de vista a magnitude da missão que lhes foi concedida: Recriar a vida!

 É, é impossível terceirizar relacionamentos!!”